quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Divisões

    Meu coração está divido entre o que é certo e o que ele pensa que é certo, e tantas outras subdivisões daquilo que é a verdade dele. Não que corações pensem, eles apenas nos mandam agir, pautados por qualquer coisa que não seja a racionalidade. Eu mesma que o possuo não sei distinguir entre as partes aquela que seria a correta. Costumo tomar por certa a que ele me diz que é, e isso é mutável ao longo do tempo.
    As divisões do meu coração são tão bem demarcadas que eu poderia medi-las sem muito esforço. Eu poderia descrevê-las em cada mínimo detalhe. E elas se tornaram tão diferenciadas uma das outras que é uma contradição fazerem parte do mesmo corpo. Guardam sentimentos tão desiguais e simultaneamente legítimos, que por isso entram em conflito entre si. Criam uma guerra dentro de mim, na qual em momentos distintos há vencedores distintos. Muitos são aqueles que acreditam que sentimentos desse tipo poderiam apenas existir no singular. Não exatamente. Talvez aquele que tenha esse poder de existir no singular seja bem mais forte que todos esses fragmentos que conheço.
    Há no meu coração tantos buracos, muitos mesmo, acumulados no longo prazo. Não há poesia que possa tapá-los. Não há nada que eu possa fazer sozinha no meu quarto para reverter essa situação, por máximo que eu tente ou fique acordada a noite inteira procurando por palavras que preencham o vazio, eu não as encontrarei porque elas não existem. Porque palavras não preenchem nada, principalmente sendo palavras minhas. Elas por vezes dão essa falsa impressão, que não costuma durar muito. É mais fácil que palavras venham a ser a causa dos buracos e não o remédio para tal.
    O meu coração tem agido através de mim, e a parte mais estranha é que ele o tem feito com o meu consentimento. Eu o reprimi por muito tempo e não mais consigo fazê-lo. E não acho que conseguirei fazê-lo tão cedo.


quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A Vaguidão dos seus Olhos

    Continuava a fitá-los procurando a palavra certa para descrevê-los, como se encontrá-la fosse o principal motivo de eu estar aqui. Até que cheguei a conclusão que tal palavra ainda não fora criada, porque nenhuma palavra existente era capaz de simultaneamente comportar o tudo e o nada, ambos completando-se assim como em um beijo. Seus olhos, eles assim são de um profundo mistério, tão inexplicáveis, antagônicos, magnéticos. Possuem certa gravidade, de forma que não é muito seguro aproximar-se deles e se arriscar a nunca mais conseguir a proeza de afastar-se. E desejar passar a vida a contemplá-los eternamente.

    Eram uma lacuna.

    Eis então que num lampejo soube que seus olhos eram compostos da vaguidão do universo. Eram escuros como o universo. Instáveis como o universo e tão inexatos, vagos… Universo que ao mesmo tempo é triste e vazio, sombrio e frio e ao mesmo tempo contém tudo, tudo: as estrelas, as galáxias, o mundo, o alvorecer do dia, as cores da aurora boreal, o cantar dos pássaros, o andar inconstante dos perdidos. Tem tudo menos uma explicação. É o ordem e o caos. É o início e o fim. É o infinito absoluto e incontestável.
    As mentes mais brilhantes ficaram loucas procurando o mínimo sinal de coerência no universo, assim como eu mesma estou destinada à loucura procurando até o fim uma palavra para descrever o inefável ao qual resumem-se seus olhos.


"Die Unendlichkeit ist jetzt nicht mehr weit" 

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Azul para 'esquecimento'

-A bit of love?

-No. Only a beer.

muvem

      Impressiono-me com a facilidade que tenho para esquecer. Esquecer-me do que me incomoda, assim, como se nunca tivesse existido. Eu disse, um milhão de vezes, para que não me dessem motivo. Minha mente sabe ser autônoma e, quando me dou conta, já não há nada lá que cause qualquer espécie de sofrimento. Basta embrulhar esse conjunto de sentimentos e lembranças relacionadas a alguém e arquivá-lo na sessão de "defeituosos". Depois de um tempo acabam indo para algum lugar que eu desconheço. Só sei que de lá nunca voltam.

     Quando você fala de mim, fala de alguém que difere em muito do estereótipo feminino comumente concebido pela mente masculina (comumente limitada). Então, não tente ver-me pela ótica de quem deseja um modelo simplificado da realidade. Eu sei que é isso que você faz e é o que você espera de mim, e isso é como um insulto. E eu só tenho a lamentar que você tivesse olhado para mim e não conseguido ver além dos limites que eu mesma imponho àqueles que não julgo capazes ou suficientemente corajosos para ir além, apesar de eu ter te oferecido todo tipo de ajuda para que transpassasse isso. Pensei que não fosse ser assim. Eu estava enganada, de novo.

     Boa sorte com tudo isso que você ainda tem que consertar. Eu não estarei esperando que você faça isso. Esperar que eu espere é o maior exemplo de perda de tempo. Principalmente quando há tantas coisas mais interessantes para ver lá fora.

sábado, 6 de agosto de 2011

Mein Himmel

     Fez da solidão, à título de necessidade, um lugar - não diria agradável - mas confortável, já que estava por lá a maior parte do tempo, por imposição ou mesmo por escolha. Então a ausência não a atingia como atingia outrem. O escuro não era tão negro. O isolamento era suportável na medida do possível.
     Ela pintou o cômodo da cor menos hostil. Vestiu o vestido mais enfeitado. Arranjou uma cama e um motivo - enquanto na solidão dos outros apenas há o vazio e um pouco de chuva gelada, ela tapou os buracos do teto e trancou a porta.

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"Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas
nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite."
Clarice Lispector
[Foto: Outubro 2007]

sábado, 25 de junho de 2011

Minhas Palavras Suas...

    Cansei de tentar descrever o que sinto em sua incerteza e sua vaguidão, assim como se isso fosse algo passível de ter sua essência revelada.
    Tenho aqui uma cena vaga e incerta, como tantas outras que possuo:
Você está lá e eu aqui. Tão próximos. Mas eu tenho vergonha de me aproximar mais e dar a você as palavras as quais você tem direito.
    Refiro-me às palavras que roubei de você e tenho medo que você venha a roubá-las de mim, por vingança. Ou medo que venha a aderir a elas significados impróprios. Eu tenho medo que venha a jogá-las fora ou reformá-las para doar a outra pessoa, aquela que você escolheu para ser a que possui o direito legítimo de presentear-te com palavras (apesar de eu ter certeza que as minhas possuem mais poesia).
    Ainda penso que poderiam minhas palavras fazer alguma diferença. Confio nelas...às vezes. São verdadeiras, de fato, apesar de tímidas. Podem não ser feitas de ouro ou carregar diamantes ao olhar de quem as recebe, mas possuem incomum simplicidade e beleza. Um grande buraco abri no meu coração para extraí-las, assim como o homem abre as entranhas da terra para extrair o que considera valioso. Não foi uma tarefa fácil. Penso que talvez o buraco demore a fechar sozinho ou que levarei um bom tempo para preenchê-lo novamente por mim mesma. Apesar de já haver quem se disponha a estar do meu lado, oferecendo-me as ferramentas para tal. Cabe a mim aceitá-las.
    Mas não doarei suas palavras para a outra pessoa. Não as modificarei, fazendo com que pareçam falsamente recém-nascidas. Não terão outra aparência além daquela que originalmente lhes atribui. Terão para sempre todos os adornos e detalhes de quando foram feitas, preservando sua genuinidade. Se essas palavras chegarão ou não às suas mãos dependerá apenas da minha coragem de entregá-las. Eu sei que acontecerá e prevejo que será logo. However, don't look at me like that, I don't mean to look weak when I know I'm the strongest in the crowd. 
    Não ligue para o papel de presente desgastado, foi o melhor que encontrei.
E quando recebê-las não ria delas. E não venha a doar às mesmas importância fictícia, pois eu saberei reconhecer isso. Também não se faça de surpreso. Você sempre soube de alguma forma da existência delas, apesar de nunca terem sido expostas à sua vista, ou sussurradas carinhosamente em seu ouvido quando tive oportunidade para tal. Todos nós sentimos quando algo é real e está sedento para revelar-se, quando algo faz questão de ser evidente mesmo sobre camadas de disfarce mal sucedido.
    I don't know what is going to happen from now on. I have a guess, so wrong as right.
    Entretanto, não se preocupe comigo no caminho que eu escolher tomar. Se você preferir devolvê-las a mim, eu saberei guardar suas palavras e desativar momentaneamente seu significado, tão pesado de se carregar, até que ele se anule por si mesmo e transforme-se em mais uma distante e estranha lembrança. Eu as guardarei em minha imprudente coleção, da qual você já ouviu falar. Minha coleção, plena de falhas, cheia de histórias eternamente inacabadas, não suscetíveis de modificação. Eu sei lidar bem com o que tenho. Sorrio de volta quando o mundo tenta me derrubar e sou até capaz de me arriscar em rir da cara dele e divertir-me com o olhar bravo que ele me retribui. Eu sei que ele fará isso muitas e muitas vezes mais. I'll make sure I'll laugh everyone of them.

Espere-me, eu estarei lá. O que acontecerá?
Por máximo que soe paradoxal, a única coisa que me soa certa é a incerteza.
Aquela tão vaga... tão indiscutivelmente indescritível. E se tudo vier a converter-se em mais uma pobre falha, saiba que eu realmente quis que dessa vez não fosse assim. Eu quis com considerável intensidade. É. Outro dos meus eufemismos.

"If I had you here, we were here together
I'd be boy and you'd be girl, beautiful.  
When this wild world is a big bad hand.
It'll drag me to your door
I won't see you no more..." 
(Moon and Moon - Bat for Lashes)
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Senhor, eu pequei: matei uma madrugada de estudos para escrever isso.
Deus tenha piedade da minha nota de Matemática financeira. Amém.
HUHASHUASHAUSHUASHUS
Espero que gostem...
Beijos :*

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Ideias Inatas

z a dream

Ela não tem pedido por muito recentemente. Ela não tem pedido por nada. Não tem tido certeza. Não tem tido fé ou devoção. Tem seguido o caminho da forma mais cega e passiva possível, sem pensar no que a aguarda no fim ou se o mesmo virá, cedo ou tarde. Mas, ainda assim, ela espera. Crê firme, mas crê em pouco. Prefere não tomar nada com certo ou como inteiramente necessário. Seus pensamentos crescem até bater no vidro embaçado da realidade. Seus planos, não os possui. Aprendera a viver sem eles ou se condicionara involuntariamente a esquecer do porquê de fazê-los.

Ela tem se permitido tentar de novo. Repetir experiências antigas. Porque, talvez, não tenham sido bem realizadas. Convenhamos, não foram. Enquanto uns consideram inesquecível, para ela tudo não passou de migalhas do que deveria ter sido. Por máximo que ela tenha sorrido e copiado as palavras de bocas alheias sem saber profundamente seu significado. "Eu também" e outras besteiras condenáveis. Na época podia até pensar que falava sobre coisas imensas e imortais, quando vieram a ser ínfimas e morreram antes de sequer chegarem próximas do seu ápice. Aconteceu todas as vezes e cada uma delas.

Ela jura que não é fria e só preza em descrever as coisas na precisão em que acontecem. Não tanto na intensidade. Na verdade ela enxerga na ótica daqueles que, imparciais, olham para trás e analisam geometricamente os destroços, deixando de lado as cores, os tons e os motivos. Observa o campo de batalha, monocromático, e conta corpos; respira as cinzas no ar, sem, no entanto, percebê-las. Mas, espere um minuto, o quão real teria sido essa batalha?

A sua verdade, dentro dos limites do mundo que lhe pertence, é absoluta. Para ela, isso tem sido suficiente para prosseguir.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

"cause soulmates never die"

10 anos.
120 meses.
3650 dias.
87600 horas.
5256000 minutos.
315360000 segundos.
Fizeram de você uma pessoa única na minha vida.
Um sétimo de uma vida inteira. Só lamento que não tenha estado com você na primeira década dela, mas espero estar com você no que ainda resta.
E também nas próximas que venham ou em qualquer outro lugar para qual formos.
Talvez eu não tenha dito alto e claro o suficiente.
Talvez eu não tenha estado lá quando você precisava.
Talvez tenham me faltado palavras.
Talvez eu estivesse triste demais ou preocupada
com coisas minhas que viriam a ser supérfluas.
Desculpe-me.
Mas eu nunca te esqueci e nunca o farei.
A minha irmã, alma gêmea feminina.
Aquela dos amores divididos, da adolescência complicada, das tardes na praça, das ligações noturnas, dos risos infinitos, do idioma que só nós falávamos e só nós entendíamos, dos ódios comuns, das lágrimas compartilhadas, das crenças e esperanças iguais, dos planos de dominar o mundo, de querer abracá-lo e guardá-lo em um baú para que fosse só nosso.
Numa época em que uma cidade inteira queria nos derrubar, nos esmagar com suas construções, porque nós éramos indesejadas, nós éramos as ovelhas negras de um rebanho falido. E agora estamos no topo do mundo, numa altura tão grande que não enxergamos essas pessoas do passado ou as ruínas de um lugar que queria nos expulsar. Ambas ficaram tão ínfimas perante a nós. Sempre soubemos que isso aconteceria um dia. Se pedissem desculpas, seria num tom baixo demais para que ouçamos daqui.
A minha irmã morena que conheci aos 9 anos. Aquela dos caminhos que divergiram. Aquela para quem eu tive de dizer adeus. Fisicamente, mas não aqui dentro.
Quando eu choro e tenho vontade de não fazer mais parte da minha própria existência, eu penso em ti e como apesar de todas as críticas alheias você continua sendo aquilo que é indiscutivelmente verdadeiro na minha vida. Aquela a qual posso sempre recorrer que terá a me oferecer nada diferente da pura verdade e sinceridade.
Você sempre será aquela que eu salvaria na linha do trem.
Porque almas gêmeas, Tell, elas nunca morrem.

São só mais alguns dias para que eu possa te abraçar de novo.
Mais alguns dias...
22 dias
528 horas
31680 minutos
1900800 segundos...
Finalmente em Curitiba!
Te amo.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Memórias repetidas

"Eu nunca tive a intensão de te causar problemas
Não, nunca quis te machucar" Trouble - Coldplay
Aqui estou eu de novo. São umas duas horas da manhã. De novo. Mais uma daquelas madrugadas peculiares que impedem o sono de fluir. E eu sinto como se precisasse escrever para conseguir dormir. Mas minha cabeça, até então, estava vazia da mesma forma que a maioria das páginas dessa  agenda antiga. E como essas eram as únicas páginas brancas disponíveis nesse quarto, tive que fazer uso das mesmas. Como disse, a maioria das páginas estão em branco - nunca consegui levar uma agenda para frente - porém não são todas. A agenda acabou virando um lugar no qual eu anotava memórias. Deparei-me com uma que dizia:

15/02/2009
"Eu disse para ele que o tempo sempre conserta as coisas. Então ele perguntou: 'conserta?'. Quando eu pensei estar pronta para dizer 'sim', parei para pensar por um segundo e a única coisa que consegui dizer foi: 'eu não sei'. Bem… o tempo tem consertado muitas coisas para mim. Mas e as outras coisas, quando serão consertadas? Serão consertadas?"

O problema é que, considerando a data e tantos outros aspectos, tive grande dificuldade de identificar com quem tive esse diálogo. Pensei por um bom tempo e troquei várias vezes as peças do quebra cabeça: cenários, momentos e pessoas. E não resolveu a questão, pois todas pareciam se encaixar perfeitamente. A mente é capaz de induzir memórias ou seria possível que diálogos semelhantes pudessem ter ocorrido várias vezes na minha vida? Eu creio que ocorreram. E essa era a pior parte, porque várias eram as pessoas para as quais eu poderia ter utilizado a velho clichê do tempo. Que eu precisaria ter usado o tal clichê. Ou deveria ter ficado quieta? O silêncio pode ser pior, considerando a situação, mas as coisas já chegaram a tal nível que eu não saberia distinguir e analisar muito bem as duas opções.
Não há como negar, de qualquer forma, que o tempo tem sido um dos meus melhores amigos. Entretanto ele não parece ser tão amistoso com outras pessoas que passaram ou ainda estão na minha vida. Como é possível que depois de tantos anos não fiquem exaustas de estarem trancadas no mesmo quarto escuro, apertando o mesmo botão quebrado. A paixão aliena, de fato. Também não sei te dizer até que ponto é positiva ou negativa. Tantas são as variáveis envolvidas.
Eu errei. Várias vezes e talvez de novo. E de novo. Precisei jurar que o tempo ajudaria, de uma forma que eu não poderia fazê-lo. Não sei se disse por inocência ou falta do que dizer. Não sei se disse mesmo ou se deveria tê-lo feito. A questão é que não é o tempo o sujeito da ação. Somos nós mesmos. Isso só ficou claro para mim agora. Tenho sido sujeita da ação e dado crédito ao tempo. Tudo isso porque eu escolhi "esquecer". Foi rápido e eficiente. Ninguém fez isso por mim. E várias pessoas, infelizmente, não tem feito isso por si mesmas. Talvez a culpa seja minha. Talvez eu tenha indicado o caminho errado a seguir, mesmo involuntariamente, quando procuraram-me, desesperados por indicações. Eu fui legal demais, com medo de magoar. Eu abracei forte demais e demonstrei afeto demais, quando, na realidade, o essencial não estava mais lá. Tive demasiado carinho, mas não tive amor, porque não o tinha a muito tempo. E não posso doar o que não tenho, por mais que tivesse vontade de fazê-lo. E necessidade de fazê-lo. E a necessidade faz com que ajamos como idiotas e que não percebamos a situação que acabamos criando. Joguei para o tempo um dever que era meu.
Resolvi ler outras páginas da agenda. Obtive então a confirmação de tudo o que escrevi acima. Com apenas três dias de diferença, estava escrito:

18/02/2009
" Ele me perguntou se realmente deveria me esquecer. Eu sabia que tinha chegado a hora. Tudo dependeria da minha resposta. Então olhei para o poste, olhei para a poça d'água e continuei assistindo as gotas de chuva caírem por dois ou três segundos, não sei muito bem. Debaixo do guarda-chuva, o tempo passou rápido. Eu sabia que precisava dar uma resposta. Tudo estava indo bem aquela noite até esse momento. Eu hesitei entre um 'não' e um 'sim'. E o que eu disse? ' Talvez'. Era tudo o que eu podia dizer, depois de tudo. 'Mas não se esqueça das memórias', eu disse. Boa noite, e foi só isso. Acho que deixei algumas lágrimas caírem, mas, por causa do guarda-chuva, a chuva não foi capaz de camuflá-las."

Eu penso, quantos 'talvez' eu acabei dizendo, dando apoio a esperanças que não deveriam continuar existindo. Ser legal nem sempre é a melhor forma de agir. Ser legal deveria ser proibido em casos como esse.

001

PS: recadinho novo ali no canto do blog. Se você ler e se identificar, saiba que foi escrito para você.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Devaneios na aula de Cálculo Diferencial e Integral

É. O que acontece quando algo que você evitou por muito tempo parece fazer o maior esforço para ter o direito pertinente de materializar-se na sua vida? Soa-me extremamente injusto que nossas opiniões próprias não sejam tão absolutas quanto pareciam ser momentos atrás, um mês, dois anos atrás. Parece-me irritante não saber até que ponto podemos ser donos das nossas próprias escolhas. Se alguém me parasse na rua e perguntasse o que eu pretendo fazer agora, minha resposta poderia ser a ou b. Ambas opostas. Ambas começando e terminando na irracionalidade da outra, como em um ciclo vicioso. Aliás, tratando-se desses assuntos, a racionalidade é uma palavra que não se encaixa em qualquer situação. Pode aparecer para dar um “oi” uma hora ou outra, mas esses casos, além de raros, são passageiros e não trazem nenhuma mudança realmente significativa. O que você faz quando seus conceitos começam a derreter na sua frente, como chocolate no sol infernal de Ribeirão Preto? O que você faz quando começam a ficar com aquela aparência extremamente obsoleta? Você olha para as pessoas a sua volta e elas encaram as coisas de uma forma tão passiva...
Eu penso que talvez deveria estar escrevendo sobre QUALQUER outra coisa (eu penso, de fato, que eu deveria estar resolvendo o limite dessa função, porque a prova de cálculo é daqui a alguns dias...). Na realidade não estou apta a pensar muita coisa. Primeiro porque minha cabeça está cheia de números. Segundo porque, dada a instabilidade como uma das minhas determinantes principais, talvez daqui alguns dias tudo volte ao normal. Eu só acho que deveria estar na cama, pois não dormi muito noite passada, pensando, pensando, pensando.
Queria que a vida possuísse a exatidão dos números. As pessoas acham que é muito complexo, mas as “variáveis humanas” são bem piores. O que ocorre quando “eu” tendo a “uma situação dessas”, pode acreditar que a resposta não seria “um” ou “zero”, nem mesmo uma dízima periódica imensa; seria algo mais complicado, porque o limite nesse caso provavelmente não existe. E aí como você resolve? Não há livros do Leithold ou do Stewart que possam te ajudar nesse contexto.  Nada é estável ou dura para sempre, eu sei, e talvez as situações sejam bem mais flexíveis do que eu imagino que são. Talvez só uma pessoa como eu poderia tratar de um assunto desses como se fosse um pesadelo haha. Só uma pessoa como eu escreveria algo da forma mais enigmática possível com o único intuito de que ninguém entendesse, mas eu me sentisse bem por ter tocado no assunto. Podemos resolver isso mais tarde? Eu só quero ir para casa, devanear em um lugar mais confortável. (Mas a aula não acaba...nunca!).


Então me diga tudo deve sempre ser igual a dois
Ou nada mais é verdade?
E eu acreditarei em você
Porque o seu X é igual ao meu Y
Mas as equações passam por mim.
Então vai tomar um pouco da minha mente e subtrair da minha alma
Adicionar uma fração de sua metade, e você verá que isso me faz inteiro
Multiplique isso pelas vezes em que nunca nos separamos
Você verá nada pode dividir um coração mais um coração”

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Praia

Sister





Luz e Treva 

um twitter?

 "When I grow up I'll just own the world"

Batatas também têm sentimentos

Voar 

Voar II

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Voltei ontem da praia *-* essas são algumas fotinhas que eu tirei lá;
Amanhã começam minhas aulas...
...na USP *-* Yes, I got it :D Valeu a pena acordar um ano inteiro as 5 da manhã pra ir estudar ASHUUHSAHUSA
Bjaum :*

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Exílio

   Então prometa que você estará aqui na próxima vida.
   Se não puder, prometa que passará por aqui, nem que seja em uma insignificante manhã de segunda-feira. E eu encontrarei seus olhos e perceberei que há algo a mais que eu desconheço, há algo de inexplicável nos olhos de um estranho, numa rua comum, numa insignificante manhã de segunda-feira. E então eu voltarei ao meu café, com a distante impressão de que algo deu terrivelmente errado. De novo. 
   Mas prometa que o vazio que nos tomou por dentro será levado embora, nem que seja de uma maneira bruta ou artificial. Apenas, por favor, não preencha os campos da minha nova existência com o castigo da sua antiga e inacabável ausência.
    Porque eu sei, sim, eu sei que mesmo a quilômetros de distância fitamos o mesmo azul pálido lá em cima e respiramos juntos lamentando o que no cerca aqui em baixo. Sim, você vai ser sempre uma constante. Para sempre uma arma apontada para a minha sanidade… Sempre lá… Do outro lado do mundo.
    Então, se você, por acaso, nesse lugar indiferente que você vive, se pegar sendo sóbrio além do limite, se um dia o chão parecer instável e o cinza sobre sua cabeça parecer miseravelmente expressivo, você finalmente vai perceber que algo deu terrivelmente errado. De novo. E que, provavelmente não nos será dada uma chance…Não nessa vida ou na próxima.
   Mas, independente da situação, você sempre poderá fechar os olhos  e visualizar esse "eu" sem face e poderá fingir que a vida é mais leve e que essa espera é mais segura e que essa tímida brisa denominada liberdade te guia timidamente para os meus braços.
   E, acima de tudo, eu ainda acredito que no fim nos encontraremos do outro lado dessa bagunça que eles inocentemente chamam de realidade.
And the sun will set for you...
______________________________________
Finalmente, acabou! Acabou fuvest!!! Nem acredito.
L-I-B-E-R-D-A-D-E.
huhasuhsahuashu agora é esperar o resultado, minha parte está feita :D

Voltarei a postar no blog, gente *-*
:*

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Sensação de abandono

I'm so close to what I've dreamed of.
But it hurts so.
Yeah it hurts so
...”

                Tento me concentrar no que estou fazendo. Entretanto, tudo o que consigo ouvir no momento são os restos da última noite. Fora isso, estou literalmente surda para o mundo. Lá estavam as lágrimas, enterradas por tanto tempo em um solo infértil e este é o resultado: a confissão que me foi escondida por mim mesma em longos quatro anos.

                Parecia um muro, sim, incrivelmente é esta a palavra e ela se encaixa tão bem. Estava materializado na minha frente como uma metáfora de toda a dificuldade que enfrentava. Quanto poderia imaginar encontrar a palavra fora dos meus próprios pensamentos, que a buscavam incessantemente.  Ela me foi oferecida por você, como num ato inconsciente de altruísmo: a definição que tanto procurei.
Era uma multidão impenetrável, uma parede firme, que não conhecia a instabilidade daquelas que construi ao meu redor para minha própria proteção. Diferenciava-se também em sua transparência contrastando com a cegueira a qual as minhas me limitavam. Transparência que me permitia ver-te, mas me impedia de me aproximar. Senti-me impotente, essa é a verdade. Eram alguns metros, não passavam de dez. Mas havia a fila de corpos como pedras, cada um representando um obstáculo a mais. Meus pés estavam exaustos e colados ao chão.
Existem os que, como eu, nascem do lado escuro do muro e os que, como você, nascem do outro lado e têm a legitimidade de uma luz natural.

Estou escrevendo o que não consigo ver. Quero acordar em um sonho. Eles me dizem que é lindo. Eu acredito neles, mas será que um dia vou conhecer o mundo por trás do meu muro? O sol vai brilhar como nunca antes. Um dia eu vou estar preparado para partir. E ver o mundo por trás do meu muro. Trens estão viajando no céu por entre fragmentos do tempo. Eles estão me levando a partes da minha mente as quais ninguém consegue encontrar. Estou pronto para cair. Estou pronto para rastejar de joelhos, para conhecer tudo. Estou pronto para curar. Estou pronto para sentir. Leve-me para o outro lado.” 
(World Behind My Wall – Tokio Hotel)

E eu chorei. E eu gritei seu nome, mas o barulho engoliu a minha voz, que se uniu a ele. Nós gritamos, como irmãos com um sonho em comum. E o conjunto de todas essas vozes era uma mão invisível que por fim acabou te tocando. Nossa única forma de fazê-lo, no final das contas. Era a transfiguração de um sentimento em um som estridente e profundo, não proveniente do ar dos pulmões, mas de tudo aquilo que existia no coração. Foi superada a impotência de uma única voz, baixa e rouca, e uniram-se as vozes de todos em uma só, cantando juntas, mas dessa vez forte o suficiente para serem ouvidas. Foram superadas barreiras idiomáticas e continentais, vocês atravessaram o oceano, e nós acabamos nos comunicando naquela língua universal e sincera. Seu encanto sobrenatural e seu carisma estavam finalmente lá para confirmar tudo o que eu já sabia. Era tão passional. Seus olhos brilharam, nós vimos. Sua voz era infinita. E não havia espaço naquele local para tantos agradecimentos. Apenas em nossos corações, que os sugavam com desespero e os guardavam como uma lembrança única de um momento que passou como uma chuva de verão, rápido e intenso. Tão desejada chuva após um longo período de seca. 


Correndo pela chuva além do mundo para o fim dos tempos onde a chuva não nos machucará. Lutando contra a tempestade dentro da tristeza. E quando eu me perco penso em você. Nós fugiremos juntos para um lugar novo, através da chuva. Apenas eu e você. Estaremos lá em breve.”
(Monsoon – Tokio Hotel)


Então, de repente, havia a escuridão, havia o silêncio e havia a expectativa. Mas você partiu deixando para trás lágrimas (e sorrisos e sonhos realizados e corações batendo).
E, infelizmente, havia deixado também aquela infindável sensação de abandono.
Senti o peso de uma distância absurda que voltaria a existir em poucas horas.
Éramos como cinco mil órfãos.

Saindo de lá, sentei no chão para processar o que tinha vivido. Estava no meio de um tumulto de pessoas saindo por uma mesma porta e paradoxalmente me sentia sozinha.
E eu via São Paulo, aquela gigantesca cidade fantasma e inexpressiva que não chorava e não sorria, não expulsava e nem acolhia ninguém. Apenas suas ruas, becos e avenidas serviam de berços inseguros para muitos. E sim, desejei por um momento fazer parte deles e ficar por lá mesmo, vagando com o pensamento em branco até me encontrar dentro de mim mesma. Porém tinha que voltar para casa.
A estrada era vasta, a viagem era longa. Meu coração não quis vir comigo. Ele ficou com você.
“Você é o sol e eu sou a lua. Na sua sombra eu posso brilhar” 
(In Your Shadow – Tokio Hotel)

Gasolina e sangue é tudo que eu tenho. Em você eu confio. O último retorno está passando.
As rodas correm livres debaixo de mim. É você que eu sinto. Um milhão de faíscas estão caindo. Eu viro o carro: me dê um beijo de adeus, dentro da luz. Como um motorista fantasma eu estou morrendo esta noite. Tão escuro e frio, eu dirijo sozinho como um motorista fantasma. Não posso fazer isso sozinho. Promessas. Eu arranhei tão fundo no seu assento vazio. O céu está virando de cabeça para baixo. Eu viro o carro: eu não sei o seu nome, mas eu ainda acredito. Agora é o momento para eu e você. Tão escuro e frio, eu dirijo sozinho como um motorista fantasma. Não posso fazer isso sozinho. Agora eu estou aqui sem mais medos. Anjo, não chore, eu te encontrarei do outro lado. Eu estou aqui com você. Eu estou aqui. Deixe-me sozinho: fantasmas sempre morrem sozinhos.”
(Phantomrider - Tokio Hotel)

Meu muro se desfez dando espaço para outros que seriam construídos logo após, não fisicamente, mas de todas as outras formas. Mas a pergunta que fica é aquela mesma: “Eles me dizem que é lindo. Eu acredito neles, mas eu irei conhecer algum dia o mundo por trás do meu muro?”.

Eis a realidade: não se vive da mesma forma em cárcere após ter sentido o calor de um raio de sol. Vive-se com aquela vontade de que o teto caia. Seja pela morte ou pela luz do sol; destinos antagônicos: dois únicos destinos possíveis.


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“Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces 

Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto. 

No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida 

E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz. 

Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado. 

Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados 

Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada 

Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado. 

Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face. 

Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada. 

Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite. 

Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa. 

Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço. 

E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado. 

Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos. 

Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir. 

E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas. 

Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.”

(Ausência - Vinicius de Moraes)