quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A Vaguidão dos seus Olhos

    Continuava a fitá-los procurando a palavra certa para descrevê-los, como se encontrá-la fosse o principal motivo de eu estar aqui. Até que cheguei a conclusão que tal palavra ainda não fora criada, porque nenhuma palavra existente era capaz de simultaneamente comportar o tudo e o nada, ambos completando-se assim como em um beijo. Seus olhos, eles assim são de um profundo mistério, tão inexplicáveis, antagônicos, magnéticos. Possuem certa gravidade, de forma que não é muito seguro aproximar-se deles e se arriscar a nunca mais conseguir a proeza de afastar-se. E desejar passar a vida a contemplá-los eternamente.

    Eram uma lacuna.

    Eis então que num lampejo soube que seus olhos eram compostos da vaguidão do universo. Eram escuros como o universo. Instáveis como o universo e tão inexatos, vagos… Universo que ao mesmo tempo é triste e vazio, sombrio e frio e ao mesmo tempo contém tudo, tudo: as estrelas, as galáxias, o mundo, o alvorecer do dia, as cores da aurora boreal, o cantar dos pássaros, o andar inconstante dos perdidos. Tem tudo menos uma explicação. É o ordem e o caos. É o início e o fim. É o infinito absoluto e incontestável.
    As mentes mais brilhantes ficaram loucas procurando o mínimo sinal de coerência no universo, assim como eu mesma estou destinada à loucura procurando até o fim uma palavra para descrever o inefável ao qual resumem-se seus olhos.

"Die Unendlichkeit ist jetzt nicht mehr weit" 

0 pensamentos:

Postar um comentário

Digam o que pensam :)