Eram uma lacuna.
Eis então que num lampejo soube que seus olhos eram compostos da vaguidão do universo. Eram escuros como o universo. Instáveis como o universo e tão inexatos, vagos… Universo que ao mesmo tempo é triste e vazio, sombrio e frio e ao mesmo tempo contém tudo, tudo: as estrelas, as galáxias, o mundo, o alvorecer do dia, as cores da aurora boreal, o cantar dos pássaros, o andar inconstante dos perdidos. Tem tudo menos uma explicação. É o ordem e o caos. É o início e o fim. É o infinito absoluto e incontestável.
As mentes mais brilhantes ficaram loucas procurando o mínimo sinal de coerência no universo, assim como eu mesma estou destinada à loucura procurando até o fim uma palavra para descrever o inefável ao qual resumem-se seus olhos.
"Die Unendlichkeit ist jetzt nicht mehr weit"
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