Li recentemente um post no blog da Lina sobre a relatividade do tempo e isso me fez refletir. Dizia que quando não observamos a vida sob uma terminada ótica, o tempo parece passar mais rápido. Muitas pessoas mais velhas me diziam que quando eu fizesse 18, a vida iria passar voando. Mas o que acontece é que conforme envelhecemos o cérebro começa a "automatizar" os nossos movimentos e apagar as coisas que fazemos repetitivamente, fazendo-nos perder a noção de que o tempo está passando (fato científico). Já quando experimentamos algo novo e excitante o cérebro faz de tudo para que este momento fique guardado. Por isso a infância parece a fase mais duradoura de nossa vida: tudo é novo e interessante. Quando ficamos mais velhos, nos desinteressamos pelas coisas da vida e caímos numa rotina, numa cegueira progressiva. Perdemos o foco do que realmente é importante, não mais fazemos tanta questão de viver experiências que seriam marcantes.
Agora pense no último ano que viveu. Do que realmente se lembra?
Se teve muitos bons momentos e muitas experiências diferentes, de fato seu ano vai parecer ter sido mais longo do que o de alguém que viveu como um robô, automatizado, no cinza, na indiferença, se preocupando, na maior parte do tempo, com coisas corriqueiras e triviais.
Envelhecemos fisicamente, isso é inevitável. Mas quanto mais jovens nos mantermos por dentro, mais longa e melhor se tornará nossa vida.
É uma questão de perspectiva. O que você quer para você?
Por fim, deixo para vocês um trecho de um livro que eu gosto muito e que explica exatamente o que eu quiz dizer.
"As pessoas grandes adoram os números. Quando a gente lhes fala de um novo amigo, as pessoas grandes jamais se interessam em saber como ele realmente é. Não perguntam nunca: 'Qual o som da sua voz? Quais brinquedos ele prefere? Será que ele coleciona borboletas?'. Mas perguntam: 'Qual a sua idade? Quantos irmãos tem? Quanto pesa? Quanto ganha seu pai?'. Somente assim é que julgam conhecê-lo. Se dizemos às pessoas grandes: 'Vi uma bela casa de tijolos cor-de-rosa, gerânios na janela, pombas no telhado...', elas não conseguem, de modo algum, fazer uma ideia da casa. É preciso dizer-lhes: 'Vi uma casa de 600 mil reais'. Então eles exclamam: 'Que beleza!'. (...) Eu conheço um planeta onde há um sujeito vermelho, quase roxo. Nunca cheirou uma flor. Nunca olhou uma estrela. Nunca amou ninguém. Nunca fez outra coisa senão contas. E o dia todo repetia: 'Eu sou um homem sério! Eu sou um homem sério'. E isso o faz inchar-se de orgulho. Mas ele não é um homem; é um cogumelo."