terça-feira, 2 de março de 2010

Assim como...


Nenhum ser vivente pode nem sequer imaginar
o quão imenso seria o meu deleite
se pudesse abrir meus olhos
e você estivesse lá.
Ainda que fosse por um pequeno segundo,
porque este seria tão grande quanto o infinito.
E mesmo que no instante seguinte
apenas pudesse ver-te partindo.

Partindo assim como o outono
que várias vezes chega apressado
tingindo as folhas de alaranjado
e despindo até a mais tímida das árvores.
E então se vai com o vento
como se por aqui nunca tivesse passado.

Mas o fato de ser passageiro não destrói um momento.
Mesmo com todo esforço do tempo
para varrê-lo da existência decorrida,
assim como o inverno o faz com as folhas esvaecidas.
O momento ainda permanece vivo,
soberano em sua essência,
senhor de sua beleza,
pois está guardado no fundo da mente
e nada pode fazer com que esta se esqueça.


[Foto e Texto: minha autoria]